Flávio quer escolas militares; Lula propõe ampliar educação integral

As propostas de educação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentam prioridades diferentes nos planos de governo dos candidatos à Presidência. Os documentos relacionam a educação, respectivamente, à transformação e à mobilidade social e ao fortalecimento das famílias e do mercado de trabalho.

O segundo turno das eleições está marcado para 25 de outubro de 2026. Segundo os planos apresentados pelos candidatos, a educação integra as propostas de governo, embora o tema tenha recebido menos espaço no debate público em meio ao contexto político e ao caso Master.

Publicado em Brasília em 15 de outubro de 2026, o levantamento compara as propostas dos dois candidatos para diferentes etapas e áreas da educação no país. Entre os envolvidos estão estudantes, famílias, professores e instituições públicas de ensino.

propostas de educação de Lula e Flávio

Os documentos abordam desde a educação infantil até a pesquisa científica e a pós-graduação. A comparação reúne temas como financiamento, organização das escolas e atuação do governo federal na educação básica e superior.

Educação infantil, alfabetização e apoio à aprendizagem

Na alfabetização, as propostas de educação de Lula e Flávio seguem caminhos diferentes. O plano de Flávio Bolsonaro prioriza o método fônico, baseado na associação entre sons e letras; Lula estabelece a meta de alfabetizar 80% das crianças na idade adequada até 2030, pelo Compromisso Nacional Criança Alfabetizada.

Para ampliar o acesso à educação infantil, Flávio prevê creches em período integral, com alimentação de qualidade e atenção ao desenvolvimento das crianças. Se não houver vaga na rede pública, a família poderá receber um voucher-creche para custear a matrícula em uma instituição privada credenciada, mas o plano não especifica a origem dos recursos para financiar o benefício.

Lula propõe dar continuidade, pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), à construção de 3.562 creches e pré-escolas em 2.360 municípios, com mais recursos para estados e municípios. O documento também prevê retomar obras de creches, escolas e quadras esportivas que estavam paralisadas em governos anteriores.

Para enfrentar dificuldades de aprendizagem, Lula apresenta uma estratégia nacional permanente de recomposição e aceleração, com atenção aos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, e ao ensino médio. Flávio propõe o Programa Acolher, no qual estudantes com bom desempenho receberiam remuneração para ajudar colegas com dificuldades; Lula também planeja ampliar o acervo digital do MEC Livros e incluir novos idiomas no MEC Idiomas, com acesso gratuito.

Financiamento, escolas, professores e tempo integral

O plano de Flávio condiciona repasses do orçamento federal a estados e municípios ao cumprimento de metas de aprendizagem. Lula, por sua vez, propõe manter a política de reajuste do Piso Nacional do Magistério, referência obrigatória para o vencimento-base inicial de professores e calculada conforme a Lei 15.437/26.

Flávio define como diretriz uma escola voltada ao ensino de conhecimentos, sem “doutrinação político-partidária ou militância”, e associa a formação dos estudantes aos valores transmitidos pelas famílias. O documento também prevê expandir escolas cívico-militares e aplicar a política nacional de atendimento a alunos com altas habilidades.

Na formação docente, Lula menciona o Pé-de-Meia Licenciatura e o reforço do Bolsa Mais Professores para atrair e manter profissionais nas redes públicas de educação básica e em áreas com falta de docentes. Flávio propõe capacitação continuada baseada em evidências científicas, sem detalhar as medidas. Os dois planos apoiam o tempo integral: Lula quer ampliá-lo em todas as etapas e modalidades da educação básica, enquanto Flávio também prevê escolas abertas durante as férias, com atividades esportivas, artísticas, musicais e literárias.



Ensino médio, formação técnica e conectividade

Lula promete aprimorar o Pé-de-Meia, incentivo financeiro destinado a estudantes do ensino médio inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). Criado em 2024, o programa havia alcançado 7,3 milhões de alunos em todo o país, segundo os dados apresentados na referência.

Para ampliar a formação profissional, Flávio propõe aproximar escolas técnicas e empresas, com participação de indústrias e do setor produtivo. Empresas poderiam financiar bolsas de qualificação, e o plano associa os cursos à inovação e às habilidades demandadas pelo mercado de trabalho. Lula também quer aumentar as vagas de educação profissional de nível médio e expandir os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs).

O plano de Lula prevê 111 novos institutos federais, com campi em 106 municípios de todos os estados, priorizando a interiorização, as periferias urbanas e localidades com baixa oferta de cursos técnicos ou sem essa modalidade. Na inclusão digital, Flávio cita robótica, computadores, tablets e internet para preparar jovens para tecnologias como a inteligência artificial. Lula propõe universalizar a conectividade escolar com recursos do Novo PAC; o documento registra que 75% das escolas já tinham internet nos parâmetros adequados.

Ensino superior, pesquisa científica e pós-graduação

Flávio propõe transferir a governança do ensino superior do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com o objetivo de aproximar graduação e ciência. Também prevê um modelo de financiamento estudantil em que o pagamento começaria após a entrada do formando no mercado de trabalho, com parcelas proporcionais à renda e prazo maior para quitar a dívida.

Lula pretende manter recursos de custeio e investimentos em infraestrutura universitária, incluindo laboratórios, restaurantes e salas de aula, além de concluir a implantação de novas instituições. Entre os projetos citados estão a unidade do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no Ceará, a Universidade Indígena (Unind) e a Universidade Federal do Esporte (UFEsporte), ambas em Brasília.

Na área de pesquisa, Flávio propõe que o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) priorize impacto produtivo, inovação e transferência de tecnologia no financiamento científico. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) apoiaria cursos de pós-graduação voltados ao mercado e à aproximação entre universidades e empresas. Lula prevê ampliar e melhorar a pós-graduação em áreas e regiões pouco atendidas e manter investimentos em ciência, tecnologia e inovação; também menciona novos hospitais universitários da rede HU Brasil, vinculada ao MEC, e a articulação com o Agora Tem Especialistas para oferecer serviços gratuitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Histórico de programas e indicadores educacionais

No terceiro governo Lula, o Pé-de-Meia foi criado em 2024 para incentivar a permanência e a conclusão do ensino médio público por meio de bolsas. Conforme os dados apresentados na referência, a iniciativa reduziu a evasão escolar ao menor nível desde 2007 e diminuiu em 62% a reprovação no ensino médio público. Lula também mencionou a intenção de ampliar o programa para o ensino superior, embora a proposta não conste do plano de governo.

Na alfabetização, o Brasil registrou, em 2025, 66% dos estudantes aptos a ler e escrever ao fim do 2º ano do ensino fundamental, percentual descrito na referência como superior à meta daquele ano. A pandemia de covid-19 também deixou efeitos na educação: em novembro de 2020, mais de 5 milhões de crianças e adolescentes de 6 a 17 anos estavam sem acesso à educação, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), e 40% desse grupo tinha de 6 a 10 anos.

Estudos de 2023 apontaram que o analfabetismo infantil chegou a 30%, ante 14% de crianças de até 8 anos não alfabetizadas em 2019. No governo Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, o Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares (PECIM) transferia à Polícia Militar a administração de escolas estaduais, enquanto as secretarias de educação mantinham a gestão pedagógica. A referência informa ainda que Bolsonaro cortou 30% do orçamento das universidades federais em seu primeiro ano de governo e que Lula criou oito universidades federais no primeiro mandato, seis no segundo e três no terceiro; Bolsonaro criou uma, em 2019.



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